sábado, 13 de junho de 2015

Nossa Palestra na Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha - A Cultura alemã na Alemanha e no Brasil

No dia 12 de junho - data do aniversário de 157 anos da chegada do primeiro grupo organizado de imigrantes alemães à cidade de Juiz de Fora MG - palestramos sobre a cultura alemã, nos moldes atuais, no Brasil e na Alemanha.

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Partes da palestra...

É comprovado que o Homem é um ser social e sua história pretérita - lembranças de períodos passados dentro do seio de seu grupo menor, transcorrido em um local, lhe traz segurança, bem-estar, conforto e felicidade.
A Origem do Maibaum tem raízes nas mitologias germânica e romana adequadas aos muitos locais e práticas do cristianismo. Os antigos povos da região - nômades e que viviam nas florestas, respeitavam e cultuavam seres da natureza. Para isto tinham rituais que envolviam divindades da floresta, os quais aclamavam e adoravam através de diversos rituais às árvores.
A paisagem construída reflete a prática e interações culturais e sociais do local. Por isto, nunca, uma cidade poderá ser igual a outra cidade. Considerando que, no mínimo – o sítio não é o mesmo. A paisagem é o resultado das interações de uma sociedade no sítio/lugar. Lembramos que a sociedade pode ser um "coquetel" de etnias e o resultado final acontece a partir do intercâmbio das várias culturas presentes no local.  Portanto a cultura alemã em território brasileiro, não é a mesma com os mesmos resultados em todos os locais e regiões que fundaram cidades. Varia de região para região e também, da origem dos alemães na Alemanha, de que região que vieram. Lá também acontece este mesmo processo, portanto, nem todos os alemães da Alemanha, também tem os mesmos hábitos e costumes.
Fonte: Rosimari Glatz

Aqui no Brasil, se as práticas forem semelhantes ou iguais, é porque algo não está dentro do processo natural do homem dentro do meio que vive. Este pode estar sendo “usado” por um sistema maior e individualista. É Produto!
Pomerode SC
Os alemães chegavam em um local - abriam a roçaconstruíam a escola e a igreja, que em um primeiro momento ocupavam a mesma edificação - Pomerode SC
Partindo de um pressuposto - que somos felizes quando nos sentimos na “casa da Oma”, “ da Vó” ou “da Nona”, porque nos lembra a segurança e gostosuras da infância. A cidade, como uma grande casa, deve manter a “casa da Oma”, no entanto, as práticas culturais - devem permanecer como algo agradável, de lazer e docemente familiar, repassado de pai para filho.
Pomerode SC
A partir da arquitetura - uma de nossas profissões -  observamos os espaços da cidade a partir de estudos e percebemos que estes não atendiam, ou não atendem mais o grupo de pessoas primitivas que os construíram quanto a sua função. Aqueles que chegam não tem vínculo sentimental e afetivo com os exemplares do patrimônio histórico arquitetônico e também, com a sua história e cultura locais. Por muito pouco, mudam os espaços da cidade descaracterizando-a. Falamos de realidade brasileira. Na Alemanha e em outros países europeus, não ocorre esta prática - pelo menos atualmente.
Stadtplatz de Blumenau - período passado
Stadtplatz de Blumenau - atualmente - (Com pressão do ramo imobiliário para verticalização)


Historicamente – quase sempre quem chega à cidade - além de não ter vinculo sentimental/familiar histórico com a cultura local – tem outros objetivos. Quase sempre não existe o interesse em praticar, valorizar ou preservar uma atividade cultural - no local que está se chegando. Tampouco, preservar alguma tipologia do patrimônio histórico arquitetônico. O Foco é o lucro. O Poder Público não faz muita coisa para melhorar este quadro, a partir de políticas públicas firmes e comprometida com a cidade, adequadas, para que junto do proprietário, manter esta "parte da cidade" para o apreço das futuras gerações.
Quanto à maioria dos "chegantes" ao local - O sentimento e a alma da cidade que o atraíram em um primeiro momento, agora não interessam mais. Talvez, ser for útil para propagar seu negócio e interesses econômicos através de publicidade.
Estes ícones que formam a identidade são aqueles que sempre são usados nos comerciais dos lugares.
Edificações - Domingos Martins -  Espirito Santo













Lembramos que os imigrantes alemães que chegaram e fundaram as muitas colônias alemãs no Brasil - cultivavam a terra, trabalhavam nas “Firmas” de sol a sol e em determinadas horas do dia iam para a associação, onde mantiveram vivas a musicalidade, as práticas esportivas, a dança, além da prática da fé e a escola. O que queremos dizer com isto? Atualmente, nas comunidades mais isoladas das cidades fundadas por alemães, as pessoas vivem e praticam a tradição o ano inteiro. Sem qualquer aparente constrangimento. Não porque pararam no tempo, como muitos (que ignoram) tentam concluir, mas porque é seu lazer e sua cultura
Exatamente assim acontece em algumas regiões da Alemanha, da Áustria e Suécia. Algo semelhante como o que acontece com as tradições do Estado do Rio Grande do Sul e o gaúcho."
Alpenhorn - Tradição antiga dos pastores das montanhas do
sul da Alemanha, Suíça e Áustria
O gaúcho - o verdadeiro gaúcho foi o índio tupi guarani que foi catequizado e vivia nas Missões Jesuíticas brasileiras, uruguaias e argentinas.
Missões independentes economicamente dos países que colonizavam o Brasil na época –
Espanha e Portugal. Criavam gado nos pampas – territórios parte dos atuais países, Uruguai, Argentina e Brasil.
Era um
povo livre com forte tradição, que aprendeu a prática das artes visuais e da música com os jesuítas. Ficou tão independente que fez com que as duas maiores nações da época - Portugal e Espanha - se sentissem ameaçadas com sua força culturaleconômica. Foi quase dizimado enquanto grupo étnico, mas não como grupo cultural.
O gaúcho vive. E não só isto. Quem chegou depois no seu território, se curvou à força de sua identidade cultural e se tornou um gaúcho também, a exemplo de imigrantes alemães e italianos. Hoje o gaúcho é aquele que aceita e assimila esta cultura, desde o modo de vestir, até gastronomia, música, comportamento, etc.

Índios Tupis Guaranis - os Gaúchos
O Brasil foi formado, em um processo permanente e contínuo a partir da vinda de imigrantes de várias partes do globo, durantes inúmeros recortes de tempo. Alguns vieram antes e suas atividades no território brasileiro e contribuição foram de uma maneira, outros vieram depois, e depois. Isto não significa que um é mais e outro é menos importante. Representa que o Brasil é um país jovem, multicultural e todos seus filhos são brasileiros – dentro de suas culturas de origem. Não podemos afirmar que determinado ritmo musical é brasileiro - como por exemplo - o samba e outro, não.
No momento presente - fala-se muito em homofobia, preconceito, excluídos. Assunto e conceitos unilaterais, como foco a partir de um ponto de vista e queremos acreditar que movido por desconhecimento
Quando se fala em segregação racial ou etnológica, só é mencionada aquela feita a partir da cor da pele e não é mencionada as demais. Poderia se dizer até que esta é instituída oficialmente pelo estado, quando se fala em cotas. No entanto, todos são brasileiros e alguns quase "mataram" sua cultura mediante constrangimentos por ser descendente deste ou daquele país e então não "considerados brasileiros", portanto desprovidos de direitos e de espaço cultural dentro do Brasil multicultural.
Como podemos não considerar e também, valorizar a história dos inúmeros imigrantes que chegaram ao Brasil, durante todo o século XIX e início do século XX? Imigrantes que chegaram para suprir lacunas sociais de um país recém independente como segurança e mão de obra e, não somente para extrair riquezas e levar para a Europa renascentista, como ocorria décadas anteriores – através de um extrativismo inconsequente – como se a fonte de matéria prima fosse inesgotável, mentalidade ainda presente no território nacional na era da "sustentabilidade"!
São Bento do Sul
Assistimos isto na cidade de Blumenau, através de comentário – “Afinal: isto aqui é Brasil!” - Justificando a animosidade contra a cultural local, geralmente com origens no seio de grupo familiar que acaba de chegar à cidade. 
Aumentando o número de chegantes com este pensamento, uma pessoa nativa na comunidade/cidade, com pouco esclarecimento, inicia um processo de “crise existencial” a partir de sua identidade. 
Como se a cidade que ajudou a construir não tivesse o direito de manter suas práticas históricas-culturais, porque estas,  aparentemente, dizem não fazer parte do perfil cultural do Brasil (do samba). Em Blumenau, historiadores locais equivocados chamavam isto de germanidade.

Novamente perguntamos -  afinal, o que é o Brasil?

Sugerimos a leitura do Comentário da seguinte postagem (Clicar sobre): 54° Aniversário da Banda Municipal de Blumenau

E mais a leitura Complementar (Clicar sobre): Nacionalismo no Vale do Itajaí - a partir do Governo de Getúlio Vargas

Esta segunda leitura sugerida - explica muito do antagonismo com a cultura das etnias formadoras das cidades do Vale do Itajaí - Recomendamos a leitura - Importante para compreensão de algumas questões., como o Bullyng oficial instituida pelo estado.


Foi muito bom estar entre as pessoas amigas do Bairro Borboleta - Juiz de Fora e interagir e perceber que a centelha desta cultura vive e está sendo muito bem cuidada. Vingará e terá ótimos frutos, enaltecendo a história construída pelos antepassados, muito presente ainda na paisagem atual e nas interações sociais, e com isto, contribuindo para o prazer, a partir da cultura e do lazer.

Imagens destes momentos do I Encontro Teuto-Brasileiro
As imagens comunicam...
Sr. Del Duca - Presidente da Associação
 Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha





Grupo infantil do grupo folclórico aniversariante antes da apresentação


Sra. Dagmar Witt - Professora de idioma alemão da associação

 Infantil do Grupo Folclórico aniversariante


Como mediador - Sr. Dougla Fazollato - Diretor do 
museu Mariano Procópio - Juiz de Fora.


Repassando ofícios e livros das Secretarias de Turismo e
Cultura/Fundação Cultural de Blumenau - com recomendações do
Sr. Sylvio Zimmermann e da Sra Ivone Lemke - do
Cônsul Honorário de Blumenau e região - Sr. Hans Didjurgeit
ao Presidente da Associação organizadora do evento.
Repassando ofícios e livros das Secretarias de Turismo e
Cultura/Fundação Cultural de Blumenau - com recomendações do
Sr. Sylvio Zimmermann e da Sra Ivone Lemke - do
Cônsul Honorário de Blumenau e região - Sr. Hans Didjurgeit
ao Presidente da Associação organizadora do evento.












Docinhos feitos pela Senhora Elizabeth
Conversando com a Sra. Elizabeth - ela nos perguntou  porque usavam açúcar mascavo e ou melaço nos docinhos feitos por alemães e seus descendentes, em Juiz de Fora? Eu não soube responder no momento da pergunta. Ela nos externou suas conclusões a partir de observações. Disse que quando seus familiares vieram da Alemanha, sua Oma contava que lá usavam o açúcar de beterraba. Chegando ao Brasil, na falta deste, usaram o açúcar de cana refinado. Conclui que, igualmente, na falta do açúcar de cana refinado, restou-lhe o uso da rapadura, que é o açúcar mascavo ou o melaço. É uma boa conclusão Sra. Elizabeth e agradecemos por compartilhar conosco.

Após - algumas horas de colocar esta postagem no ar - Recebemos uma contribuição - via Facebook do Sr. Silvio Antonio Heberle - que disse o seguinte:
"Quanto ao uso de açúcar mascavo, sem refino, demerara - até em receita original alemã consta (independente se de beterraba ou cana) como nesta de Lebkuchen. Certamente também influiu na tradição porque era comum a fabricação própria (e vizinhaças) nas colonias. Roh-oder Gelbzucker – aus Zuckerrohr oder -rüben gewonnener, nicht gereinigter Zucker, der durch Melassereste gelbbraun bis braun gefärbt und oft klebrig ist. Auch Demerara-Zucker." Dia 13 de junho de 2015
"O açúcar bruto ou amarelo - a partir de cana-de-açúcar ou beterraba obtidos, o açúcar não purificada, que é amarelo-marrom e marrom na cor, passa muitas vezes por m melaço pegajoso. Também açúcar demerara ."  Silvio Antonio Heberle - Facebook
Para ler mais sobre - Clicar sobre: Der klassische Lebkuchen 
Sra. Elizabeth


Com o Sr. Salcio Del Duca - Presidente da Associação  Cultural 
e Recreativa Brasil-Alemanha - Juiz de Fora  do Sr. Douglas 
Fazollato - Diretor do museu Mariano Procópio de Juiz de Fora.

Após a palestra foi oferecida uma pequena
degustação de receitas alemãs.




















A Programação da Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha - no I Encontro Teuto-Brasileiro - que teve início no dia 8 de junho de 2015 - no bairro Borboleta - em Juiz de Fora, com a presença de pesquisadores e professores envolvidos com pesquisas e trabalhos sobre o tema. Entre estes, nós incluímos, com participação na noite do dia 12 de junho.
Amanhã, encerrando a programação - acontecerá, o já tradicional - Almoço Teuto-brasileiro na nova sede da associação. Logo, postaremos toda esta movimentação deste grupo de amigos, durante os preparativos deste momento.
Não poderemos estar presente, por conta da disponibilidade de voos, mas desde já, vibramos para o pleno sucesso coroando este  evento e, brindemos à cultura e à amizade.

Nosso agradecimento pela oportunidade e recepção, que nos fez sentir em casa.
Nova sede da Associação Cultural e Recreativa Brasil -Alemanha






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