sábado, 5 de abril de 2014

Um personagem - Sr. Carlos Krueger - Tradição e História

Conhecemos e tivemos o prazer de conversar com o Sr. Carlos Krueger e sua esposa, na ante sala de um consultório médico (Dr. Alexandre Ferreira), em 2011 e, percebemos ser um dos muitos personagens anônimos que fizeram e fazem parte de nossa história - História da cidade de Blumenau
Foi um encontro que marcou muito.
Casados há mais de  60 anos
O casal se conheceu no aeroclube de Blumenau, onde os jovens de outros tempos iam passear nos domingos ensolarados. Ela era um moça de Pomerode e ele sempre viveu na Vila Nova
Aeroclube junto à bomba de gasolina  - 1948
Na época, após a troca de meia dúzia de palavras entre eles, amigas e familiares alertaram-na que não deveria confiar no elegante Sr. Krueger, pois ele era um Dom Juan e tocador de gaita. Avisavam-na que por certo, ele não tinha intenção de levar um relacionamento a sério com uma moça. Ela não deu ouvidos aos avisos e sim, ao coração. Há mais de 60 anos, são casados e é muito bonito perceber o amor que existe entre os dois. Não tiveram filhos e adotaram uma filha, que não mora com eles. A filha reside na cidade vizinha, Gaspar. Vivem sozinhos.
Os dois contando, como se encontraram e depois, caminharam juntos, até hoje.


Moram sozinhos na mesma casa, desde quando casaram - Bairro da Vila Nova. Atualmente contam com os amigos de religião, para auxílio nos momentos mais difíceis. Como desafio, enfrentam alguns problemas com a  locomoção (Transporte) e com a saúde de ambos.
A gaita do Sr. Krueger ainda o acompanha. Atualmente, não consegue mais tocá-la, o que o deixa triste. Mesmo assim, não deixa de sorrir, em momentos de conversa entre os amigos.

Quando o visitamos, um tempo depois, em sua residência, contou-nos um pouco de sua vida.
Sr. Carlos Krueger, foi torneiro mecânico da Estrada de Ferro Santa Catarina, filho de ex agente ferroviário. O ex ferroviário, ainda conta muitas histórias de uma Blumenau que não tivemos oportunidades de conhecer e os desafios que os descendentes de imigrantes enfrentaram nas primeiras décadas de história da cidade e depois, durante o período das grandes guerras. Ele contou algumas passagens deste período - durante a 2° Guerra mundial, mas não lhe fez bem, as lembranças. Com olhos marejados de lágrimas, interrompeu a narrativa destes momentos de lembranças tristes. 
Residência do Sr. Karl Krueger - seu pai - Ainda hoje está no terreno, localizado na Vila Nova - aos fundos da residência do Sr. Carlos. Sr. Carlos perdeu sua mãe ainda bebê e nos contou que estes milho na frente da casa, foram plantados por sua mãe.
Sr. Carlos Krueger, sempre residiu no Bairro da Vila Nova, desde que nasceu - década de 20 do século passado. Acompanhou todas as transformações da cidade e principalmente, do seu bairro - Vila Nova, por mais de 8 décadas. 
Emocionou-nos, quando, nesta visita, pegou sua velha companheira de música - a gaita, e fez a melodia que aprendera com os antigos, com o mesmo vigor de outros tempos, quando alegrava as domingueira e festas de casamento. Tocou, mesmo com os dedos um pouco enrijecidos pela idade.
Atualmente, não toca mais a velha acordeon e está muito doente, mas não o suficiente, para deixar de tratar com um carinho imensurável sua companheira - sua esposa, que nos fez  chorar, diante do estado de saúde dos dois e uma possível separação, em breve. 

Ela disse para ele, na nossa frente:
"Cali, tu não vai, antes de mim. Quem é que vai cuidar de mim?" 

A chamamos de "Ela", porque tem um nome meigo, lindo e diferente, o qual, não conseguimos lembrar. Só lembramos, o quanto são lindos juntos, mesmo diante de tantos problemas. 

Ele mostrou-nos duas fotografias do Livro  A Ferrovia no Vale do Itajaí -Estrada de Ferro Santa Catarina, onde está seu pai, que também foi ferroviário e trabalhou desde os primeiros anos de funcionamento da ferrovia -  EFSC.

Seu pai  - Sr. Karl Krueger é o segundo da direita para esquerda. Nesta foto, estão na Estação de Hansa - Hamônia,  - Atual Ibirama.


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Dezembro de 2015
 Estivemos visitando o casal Krueger, no último dia 10 de dezembro de 2015. Apesar de todos os revezes, limitações e obastáculo, sorriem juntos. É um exemplo, ao mesmo tempo que também é triste. Um registro.





















É parte da história de nossa cidade que não consta nos livros de História...mas que existe.





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